“- Mas esta terra é a nossa terra. A gente cultivou, fez ela produzir. Nascemos aqui, demos a nossa vida a ela e queremos morrer aqui. Mesmo que não preste, ela é nossa. É isso que faz que a terra seja nossa: a gente nasce nela, trabalha nela, morre nela. É isto o que dá direito de propriedade, e não um monte de papéis, cheio de números. [...]
- Oh, sentimos muito – disseram os representantes. – O banco, dono de todas essas terras, vinte mil hectares de terra, não pode ser responsável. Vocês estão numa terra que não é de vocês, não lhes pertence. Talvez vocês consigam trabalho lá na fronteira, no outono, na colheita de algodão. Talvez consigam ajuda como indigentes. Por que não vão para oeste, para a Califórnia. Lá há muito trabalho e nunca faz frio. Lá, basta estender a mão para colher uma laranja. Lá sempre há safras para colher. Por que não vão pra lá? [...]
E o homem do trator dizia:
- O que é que eu vou fazer? Tenho que pensar na minha família. São três dólares, que vêm todo dia. Os tempos mudaram, não sabe disso? Não se pode mais viver da terra, a não ser que se tenha dois, cinco, dez mil hectares e um trator. A lavoura já não é mais para pobretões como a gente. Você não começa a reclamar porque não pode fabricar Fords ou porque não é a companhia telefônica. Bem, as safras são agora assim. Não há nada a fazer contra isso.”
STEINBECK, John. As vinhas da ira. Rio de Janeiro: Record, 2022, tradução: Herbert Caro e Ernesto Vinhaes. (Originalmente publicado em 1939).
Os excertos apresentam diálogos travados entre personagens do romance e abordam as transformações econômicas no setor agrícola dos Estados Unidos nas décadas de 1920 e 1930. Responda às questões:
a) Como é denominado o processo histórico retratado no romance?
b) A partir do excerto, aponte dois fenômenos na história social dos Estados Unidos, decorrentes da concentração de terras e mecanização da agricultura.
c) Indique as modalidades de propriedade fundiária e as respectivas relações de trabalho mencionadas no texto.